Picuinha e pirraça: pimenta ou veneno no relacionamento?

Publicado em 25/08/2009 no vilamulher.terra.com.br

 

Pirraça parece coisa de criança, mas muita gente grande sabe bem como usá-la. No relacionamento amoroso, por exemplo, a picuinha diária pode apimentar ou destruir a convivência. O problema é que a linha que separa as duas coisas às vezes é mais fina do que se imagina – e as pequenas vinganças viram sinônimo de pesadelo.

E tem gente que provoca quase sem querer, como um mau hábito. Tatiana Romano, 25 anos, mora com o namorado, Paulo Gianne, há dois anos, e é a rainha assumida da picuinha. Todo mundo que conhece o casal sabe que os dois vivem num clima de guerra e, quem olha de longe, acha que os dois estão sempre brigando. O fato é que foi assim que construíram a relação. “Eu incomodo muito o Paulo, admito. Tudo é motivo para uma discussãozinha”, afirma. “Ela é terrível, fala coisas sem pensar e às vezes magoa. Mas eu sei que esse é o jeito e nos acertamos sempre depois. Pelo menos sei que nosso relacionamento é baseado na sinceridade”, completa o namorado paciente.

Tatiana é um exemplo das mulheres que provocam mesmo, e veem nas pequenas vinganças uma fonte de prazer sem igual. Entre as principais atitudes delas estão usar decotes ou paquerar outros homens para provocar. “A fala também é uma artimanha delas na hora da provocação, pois falar também machuca. Já os homens, quando paqueram, estão sendo verdadeiros e agem enrustidamente. Eles não têm costume de paquerar para provocar”, alerta a psicóloga Marly Molina, que trabalha há mais de 25 anos na área.

Ela diz que quando decide provocar, o homem é cruel – e a crueldade, assim como vingança, também gera prazer. “Eles tendem a usar o lado racional quando não tem mais interesse na relação. Já as mulheres dão toques (cutucadas) constantemente, mas apenas quer dar avisos”.

 

A psicóloga Marina Vasconcellos, de São Paulo, lista como picuinhas as coisas bobas do dia-a-dia, como a mulher dar palpite no caminho que o marido está fazendo de carro, enquanto ele dirige ou o homem criticando a maneira que mulher dirige. “É sinal de provocação a mulher que sabe que o homem se irrita com seus atrasos e faz de propósito, ou o homem que sabe que colocar o jornal em cima da toalha da mesa vai sujá-la e deixar a mulher irritada, mas não faz a mínima questão de mudar isso. São pequenas coisas que podem virar grandes brigas”.

Marly acredita que se as provocações ficarem constantes e tomarem grande parte do relacionamento do casal, pode mesmo virar motivo para infelicidade. “Mas as pequenas provocações apimentam o relacionamento e fazer as pazes é sempre muito gostoso”, sugere. “O desgaste diário é o que destrói casamentos, pois este é construído no dia-a-dia, nas pequenas atitudes que podem unir ou destruir os casais. Os relacionamentos devem ser baseados em atitudes positivas, de companheirismo e apoio mútuos, e não em provocações e competições desnecessárias”, completa Marina, que é terapeuta familiar e de casal pela UNIFESP.

Para ela, essa provocação quase sem propósito é muitas vezes usada por quem precisa de aprovação, o tempo todo. “Para essas pessoas, é natural provocar o outro, faz parte de seu modo de funcionar. Geralmente essas pessoas não conseguem lidar bem com o sucesso do outro, sentem-se inseguras e necessitam encontrar um jeito de atingí-lo, para que ele possa permanecer na posição do mais potente”.

Provocar então é um tempero – e não um vício. Marina indica uma boa terapia de casal, já que ‘terceiros’ podem ajudar a chegar ao nível de conscientização. “A partir daí, cada um deve aprender a dizer como se sente, para que o outro se perceba e mude de comportamento. E quem provoca deve estar aberto a esse tipo de toque, não levando para o lado da crítica, e esforçar-se para mudar”.

Marly sugere que o casal rodeado de pirraça deve parar para refletir e ouvir o que o outro tem para dizer, abrindo um canal de comunicação. “Toda vingança é prazerosa, não importa se é contra o ser amado. O ser humano busca sempre o prazer e quer fugir da dor. Ama o outro por que se ama em primeiro lugar e encontra nele qualidades que lhe são favoráveis”, finaliza.

Você já tinha pensado nisso? Se ama mesmo as qualidades do outro, que tal esquecer um pouquinho a provocação – ou aprender a dosar, sem magoar?

Por Sabrina Passos (MBPress)

Comente, debata, entre em contato

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s