Namorada ou mãe? Veja se sua parceira trata você como filho

Bebezinho pra cá, nenê pra lá e, por que não, um aviãozinho na boca enquanto você está lendo o jornal? Muitas vezes a mulher assume o papel de mãe na vida do parceiro aos poucos e sem perceber – o excesso de carinho vira exagero de cuidados e, quando menos se espera, a namorada ou esposa está tomando conta da alimentação, agenda e até do dia do futebol do homem.

Dentro de relações deste tipo são comuns frases como “Fulano, hoje você tem dentista”; “Não se esqueça de passar na casa da sua mãe”; “Querido,você almoçou direito? Ou comeu só bobagens, que te fazem mal?”. Ou, ainda: “você não acha que este seu chefe está te explorando? Você devia reclamar”; e “Hoje comprei estas peças de roupas, você estava precisando”.

Identificou-se com alguma delas? Então abra os olhos, antes que toda a parte boa do namoro – a paixão e a libido, por exemplo – acabem dando lugar à parte ruim do instinto maternal – o excesso de controle e de paparicação.

 

Bebê a bordo


Tanto o homem quanto a mulher podem permitir ou até mesmo gostar dessa relação em que ela toma a frente e ele assume um papel passivo, sendo provido como se fosse um bebê.

De acordo com a psicóloga Vera Senatro, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), alguns comportamentos servem como indícios. “Admitir, por exemplo, ser chamado por apelidos infantilizados ou ser cobrado por compromissos pessoais, profissionais e familiares, inclusive deixando a cargo da mulher cuidar da sua agenda.”

 

Segundo Vera, este tipo de homem pode ser muito bem sucedido em diversos aspectos da vida, mas pouco maduro na esfera familiar. “É aquele homem que gosta de ser mimado pela mulher sempre. Não arca com seus compromissos, não se cuida e não responde satisfatoriamente às suas responsabilidades. Normalmente são pessoas mais egocentradas, com dificuldade de perceber o outro.”

De acordo com a psicóloga e terapeuta familiar e de casal Marina Vasconcellos, o perfil do homem que se deixa levar por uma “mãe-namorada”, também se enquadra aos casados com mulheres muitos ricas, quando são sustentados, e acomodam-se nessa posição.

Além disso, os inseguros e pouco ambiciosos também tendem a aderir essa postura, assim como os folgados e desligados. “Eles se apoiam na figura forte da mulher que cuida de tudo. Os que não têm muita iniciativa preferem deixar tudo para o outro fazer. Quando são desorganizados e se casam com mulheres ordeiras, automaticamente esse comportamento aparecerá, pois é difícil para ela conviver com a bagunça e muito trabalhoso convencer o marido a arrumar tudo, sendo mais fácil fazer por ele”, conclui.

 

Os prejuízos à relação

Para a terapeuta Marina, a maioria dos homens não gosta de ser tratado como filho, porque a mulher que tem essa atitude acaba tomando a frente da vida do parceiro, como se ele não fosse capaz. “Faz parecer que ele é incompetente para muitas coisas. Intromete-se na vida dele de uma forma que chega a ser invasiva.”

Além disso, ela explica que não é saudável um cônjuge se sobressair ao outro. Para quem tem filhos, esse equilíbrio é mais do que necessário. “Uma relação conjugal deve estar ancorada na igualdade de posições, e não numa hierarquia, onde um manda no outro.”

A parte sexual também fica prejudicada nestes casos. “A mulher tem vários papéis na vida. Com o marido, ela deve ser apenas a esposa, deixando o papel de mãe para ser exercido com os filhos, caso os tenha. Sexualmente pode ser prejudicial, pois não dá pra se sentir atraído pela mãe”, observa.

Vera afirma também que homens dependentes tendem a ter o seu desenvolvimento comprometido. “Qualquer relação que pretende ser saudável traz a possibilidade de crescimento das partes envolvidas. Se tivermos sempre alguém que nos ‘socorre’, sem nem precisarmos gritar, dificilmente iremos descortinar nossos mananciais. O grande prejuizo afinal é para o casal ou par que se aprisionar neste tipo de relação”, conclui.

 

Independência ou morte

Um alerta da terapeuta Marina aos homens que se identificam com este quadro é saber diferenciar a relação marido-mulher da relação pai-mãe. “Deve-se cuidar para que esse vínculo não se transforme em algo assexuado. Se o cuidado está exagerado, deve ser maneirado”.

Ela explica que os limites deste comportamento devem ser ditados pelo próprio homem, dando o seu próprio grito de independência. “O homem quer uma mulher ao seu lado, mãe ele já teve. Esses comportamentos costumam irritá-lo se a mulher insistir em sua manutenção. Ele deve impedir que a mulher o trate assim, dando limites quando necessário”, aconselha.

A psicóloga Vera enumera algumas dicas práticas a serem aplicadas no dia-a-dia. Em primeiro lugar, é preciso que ele avalie o preço que está pagando por deixar que a mulher assuma a frente. Feito isso, a melhor maneira de resolver a situação é conversar com a parceira, estabelecendo os momentos em que se sente aprisionado.

Para simplificar a situação, vale cortar alguns comportamentos típicos. “Em termos práticos, devemos impedir que o outro assuma nossa vida, maneje nossa agenda, se ocupe dos nossos compromissos, cuide da nossa saúde. Precisamos estar atentos a nós mesmos, antes de lançar o olhar para o outro”, explica.

As especialistas avisam, ainda, que com jeitinho, é possível impor limites à parceira e fazê-la retornar ao seu papel de mulher, esposa e amante. Afinal, mãe é uma só.

Via Terra

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