Evite a competição com o parceiro na hora da separação

A busca de quem tem mais razão gera mais sofrimento

Publicado em 21/11/2010 no Portal Minha Vida

O término de um casamento é sempre dolorido para todos os envolvidos, por mais que o casal esteja certo do que quer e tenham pensado muito tempo, analisando os prós e contras, é sempre uma tremenda perda. Representa o fim de expectativas e investimentos feitos na relação, de sonhos e projetos em comum, de uma vida estável (em muitos casos) e organizada, de um casal que um dia acreditou e apostou na promessa de envelhecer juntos, até que a morte os separasse. Quando existem filhos então, multiplica-se essa dor por dez, e temos aí uma pequena escala do sofrimento que essa decisão acarreta em todos.

Um grande problema que dificulta a passagem por esse período de luto da separação é a dificuldade que as pessoas têm em sentir a frustração, o fracasso, os sonhos desmoronados e a sensação de total impotência perante tudo isso, transformando essa tormenta de sentimentos em raiva e agressões contra o parceiro, tornando tudo ainda mais doloroso e traumático para todos. Mais grave ainda é transferir esses sentimentos ruins para a relação com os filhos, sacrificando-os em nome de um orgulho ferido, dificultando a convivência deles com o pai ou mãe para atingir o ex-marido ou ex-esposa.

A primeira reação a uma notícia de que um dos cônjuges quer se separar costuma ser uma “competição” de quem tem mais razão, quem errou mais,…

Temos que nos dar conta do que é nosso e separar os contextos para que pessoas que nos são queridas não venham a sofrer além do necessário por uma incapacidade nossa de lidar com os próprios sentimentos.

A primeira reação a uma notícia de que um dos cônjuges quer se separar costuma ser uma “competição” de quem tem mais razão, quem errou mais, quem tem mais culpa por estarem nessa situação, aparecendo fatos antigos nunca antes explicitados e sempre evitados como armas de ataque poderosas, geralmente direcionadas ao outro com total intenção de machucá-lo ainda mais. E me pergunto: para quê? Qual o sentido dessa troca de ofensas e acusações maldosas num momento como este de total fragilidade e sensibilidade à flor da pele? Será que não dá para lembrar que um dia vocês foram felizes e acreditaram num futuro juntos, que se gostavam e admiravam e que em nome de um sentimento maior que os uniu no passado o respeito deveria prevalecer independente do motivo da separação?

Passar por um processo de separação é um dos piores traumas a que podemos nos submeter, pois além de atingir a família núcleo representada pelo casal e os filhos, há conseqüências diretas também nos parentes, amigos, na saúde física e emocional de todos, no rendimento no trabalho e na escola, no padrão de vida que diminui, na organização da rotina que deve ser ajustada à nova vida, enfim, os reflexos são enormes e doloridos, parecendo uma onda enorme que vem de repente “varrendo” tudo que parecia estar em harmonia.

Se você está passando por esse período não se deixe levar pelo impulso: pare, pense, repense, coloque as necessidades dos filhos em primeiro lugar – porque eles não são responsáveis pelos erros dos pais e devem sofrer o mínimo possível a conseqüência destes – e tenha em mente que conflitos existem para nos fazer enfrentá-los e não para que fujamos deles.

Por mais que doa, crescemos com o sofrimento. Um dia olharemos para trás com tranqüilidade e constataremos que tudo passa, até a dor que parecia tão insuportável e interminável.

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